É Crepúsculo na América!



A história começa com um sonho. Não foi o Grande Sonho Americano – Stephenie Meyer, uma mulher de 29 anos, casada e dona de casa, morando no Arizona, não estava sentada em casa tentando descobrir como ser a próxima mega autora que mais vende livros. Foi um tipo diferente de sonho.
Na manhã do dia 2 de Junho de 2003, Meyer acordou com uma visão em sua cabeça, de uma mulher jovem e um vampiro, conversando, numa campina. Ela não queria esquecer, então teve de escrever. Depois continuou escrevendo. Às vezes você tem um sonho, e às vezes o sonho tem você.
Todos sabem onde a estória termina. Meyer vendeu 45 milhões de livros nos Estados Unidos e mais 40 milhões em todo o mundo. Juntando todos, seus livros ficaram 235 semanas na lista de mais vendidos do New York Times, destes, 136 são do primeiro. A versão do filme de Crepúsculo, que saiu há um ano rendeu 350 milhões de dólares. Lua Nova estréia no dia 20 de novembro; o terceiro, Eclipse, chega aos cinemas no próximo Junho.

Mas o que aconteceu entre o início e o fim? Como o sonho se tornou uma Mega Marca Franqueada Global? Essa é a parte que nem todo mundo conhece.

Sucesso Crepúsculo


A mulher que publicaria Meyer, Megan Tingley, estava segurando o manuscrito em Novembro de 2003, um pouco antes de entrar no vôo cruzado para Califórnia. Ela não esperava grandes coisas. Ela nunca tinha escutado sobre Meyer. Ninguém tinha. Ela não era uma fã de vampiros também.
Mas ela passou todo o tempo que estava no vôo vidrada nas 600 páginas daquele pacote de papeis. “Eu fiquei pensando, Bem, ela não pode realmente agüentar isto,” Tingley lembra. “O livro vai ser um sucesso. Ela é uma escritora de preimeira viagem. Eu estava com um colega, e ele estava tentando dormir, e eu continuava mantendo-o acordado e lendo passagens para ele.”

Mesmo que fosse um rascunho prévio – Bella e seu namorado imortal Edward na verdade casaram no final – na hora em que ela saiu do avião, Tingley estava desesperada para comprá-lo. Mas era uma sexta, e todos estavam ausentes. “Então eu apenas deixei várias mensagens insanas quando voltei a Little Brown com o agente, e disse, ‘Me ligue na segunda. Nós precisamos conversar! ’” Ela disse. “Eu antecipei isso numa segunda de uma rua em São Francisco no meu celular.”

Uma vez que Tingley comprou o livro, ela finalmente teve de descobrir o que fazer com ele. Por exemplo, ela precisava dar uma capa a ele. “Deveria ser algo pavoroso?” ela se perguntou. “Ou deveríamos apelar para o romance? Mas se apelarmos para o romance, perdemos os garotos. Muitas leitoras achariam erótico, mas é um livro jovem-adulto, e é bem casto. É sobre o desejo. Como posso capturar isso?” Um dia o diretor de arte sugeriu mãos. Apenas mãos – você poderia mostrar as veias, o que seria bom e vampiresco – e elas poderiam segurar algo. Algo que sugerisse o desejo. Tentação. Uma maçã. Bingo!

A Little Brown publicou Crepúsculo em 5 de Outubro de 2005. Imprimiu 75 mil cópias, um generoso mas não estupendo número. “Todas as assinaturas estavam ali, mas no início eram modestos,” Tingley diz. “As vendas continuaram a aumentar um pouco a cada semana. Não era um fenômeno gigantesco de um dia para a noite – Acho que as pessoas pensam assim agora, mas não foi.” Lori Joffs, uma mãe e dona de casa em Nashville, leu três semanas depois. Como Meyer, ela é uma mãe e dona de casa, mas adiou a leitura do livro porque achou que uma mãe, e dona de casa, não poderia escrever sobre vampiros. “Eu li pela noite, fechei o livro, respirei fundo e o abri novamente, para reler vários capítulos. Ela diz. Joffs procurou outras pessoas na Internet que sentiram o mesmo ao ler, mas não achou muitas. Então ela criou seu próprio website, o Twilight Lexicon, que agora atrai mais de 50 mil visitantes por dia.

Lua Nova foi publicado no dia 6 de setembro de 2006, menos de um ano depois de Crepúsculo. Little Brown imprimiu 100 mil cópias, um aumento modesto, mas a companhia rapidamente percebeu que algo tinha mudado. Várias cópias surgiam no eBay por centenas de dólares. A leitura de Meyer estava reunindo multidões. “Estávamos fora da Filadélfia num subúrbio em Barnes & Noble,” diz Tingley. “As crianças estavam faltando aula para comprar as entradas e esperavam na fila por horas. Quando Stephenie saiu, essas garotas ao meu lado começaram a tremer e chorar, abraçando-se. Foi louco... Foi como num filme de Beatles ou Elvis.” Quando Eclipse saiu, um ano depois, a editora imprimiu um milhão de cópias.

A Beatlemania é a comparação que todos fazem, mas Crepúsculo é mais um Beatles ao contrário. Beatlemania foi uma reação ao careta, à cultura pop de 1950, sexualmente repreendida. Crepúsculo é a reação à reação – é uma retirada à cultura de conexão hedonista que a revolução sexual gerou. Ninguém é assim em Crepúsculo. Meyer tira o sexo do “baixo”, transforma em desejo, onde isso se tornou, paradoxalmente mais poderoso. “Para mim, o apelo do vampiro é sexualmente seguro,” diz Melissa Rosenberg, quem tem escrito as cenas para todos os filmes de Crepúsculo. “É o último romântico ideal. Você tem o fascínio ao perigo. E é apenas até onde você pode ir.

Ídolos de Crepúsculo


Na retrospectiva, é surpreendente saber como demorou para que o som de centenas de milhares de garotas adolescentes gritando histericamente chegasse a Hollywood. O primeiro vislumbre que a diretora Catherine Hardwicke teve de Crepúsculo veio em Sundance em 2007, onde os fundadores da independente Summit Entertainment mostraram a ela um script. Foi trabalhada com tanto cuidado pela Paramount que estava praticamente irreconhecível. “Tinha Bella com um vestígio de estrela,” Hardwicke lembra. “Depois havia agentes da FBI – os vampiros migrariam todo o ano para o México, e os agentes da FBI em Utah estariam rastreando-os. Eles acabaram numa ilha procurando todos em seus Jet skis.”
Mas Hardwicke viu algo ali, e ela quis entrar. Ela leu os livros de Crepúsculo. Depois jogou o script da Paramount fora e chamou Rosenberg, quem trabalhou na Summit antes, e eles começaram de novo. Ela também começou a caça pelo casal principal.

Hardwicke viu Kristen Stewart no filme “Na Natureza Selvagem” (Into de Wild), no qual Stewart faz uma breve, mas marcante aparência como uma patinadora magra e sedutora. Hardwicke foi a Pittsburgh, Pa., onde Stewart estava gravando “Adventureland”. “Nós ficamos quatro horas trabalhando em cenas e correndo atrás de pássaros no parque e brincando. No outro dia, quando eu vi o filme, eu sabia, sim, tinha que ser. Ela é Bella.” Foi ótimo para Stewart também. “Foi como, wow!” A atriz lembra. “Eu quero atuar assim sempre!”

Edward não foi assim tão fácil. “O bar está tão alto,” Hardwicke diz. “A cada duas páginas há um comentário de como ele é lindo... Eu conheci todos estes caras e senti que eles eram bonzinhos, mas eles não tinham aquela qualidade especial de que estavam vivos por 105 anos.” Ela trouxe Robet Pattinson e três outros atores para sua casa em Venice, Califórnia, para ensaiar falas com Kristen. Eles interpretaram a cena da classe de biologia na sala de jantar. Eles tiraram os carros da garagem e fizeram a cena de “Há quanto tempo você tem 17?” ali. Depois eles fizeram a cena do beijo na cama de Hardwicke. “Eu interpretei essa cena como um cara que se espanca muito e por tudo,” Pattinson diz. “Eu acho que ninguém mais fez desta forma. Eu acho que tentei me esquecer de todo o aspecto de herói confidente da história.” Isso funcionou. Stewart e Hardwicke foram vendidas.
Vender Pattinson para a Summit foi mais difícil. Ele não era uma estrela – seu maior papel foi Cedrico Diggory em Harry Potter e o Cálice de Fogo – e ele não parecia uma estrela. “Ele estava desgrenhado,” diz Hardwicke. “Ele estava num peso diferente. Seu cabelo estava diferente e tingido de preto [ele tinha acabado de interpretar Salvador Dalí em Little Ashes. Ele estava todo descuidado. O chefe de estúdio disse, ‘Você quer colocar este cara como Edward Cullen?’ Eu disse sim. E ele disse, ‘Você acha que podemos deixá-lo com uma boa aparência?’ Eu disse sim, eu acho.”

A química entre os dois principais era intensa, talvez até muito intensa. “Depois que eu o escolhi, eu disse a ele, nem mesmo pense em se envolver com ela,” Hardwicke diz. “Ela não tem 18 anos ainda. Você será preso.” Este foi o início das especulações de na-vida-real-eles-estão-eles-não-estão, eles-fizeram-eles-não-fizeram que agora é um sub-tópico de história de Crepúsculo. “Eu não tinha uma câmera no quarto do hotel. Eu não posso dizer,” diz Hardwicke. “Mas em termos do que Kristen me disse diretamente, não aconteceu no primeiro filme. Nada aconteceu, nada ultrapassou, durante o primeiro filme. E acho que demorou um tempo para Kristen perceber, certo, eu tenho que dar uma chance e realmente tentar estar com essa pessoa.”
Summit deu à Hardwicke 48 dias e 37 milhões de dólares para fazer Crepúsculo. Não é muito, especialmente pensando antes, mas ninguém sabia se a popularidade do livro no mundo, faria com que o filme fizesse sucesso. “Quatro Amigas e um Jeans Viajante (Sisterhood of the Traveling Pants), isso foi um sucesso,” Hardwicke diz, “mas rendeu 30 milhões de dólares com a base de fãs.” Aquilo resultou a algo improvisado. No livro, a cena crucial entre Bella e Edward no estacionamento da escola, acontece num dia com neve, mas neve é caro. “Então a neve virou chuva. E depois eu tive de tirar a chuva e mostrar que choveu com alguns pedaços falsos de gelo plástico.
Assim que saiu, ela pode reclamar de não ter tido neve. Crepúsculo estreou com 69 milhões de dólares – a maior estréia, até para um filme dirigido por uma mulher.

A ascensão de Lua Nova



Mas quando chegou a hora de filmar a seqüência, Hardwicke desistiu. Summit estava pressionando demais para que o novo filme ficasse pronto rápido, para manter o momento, e ela ficou estressada. Entrou Chris Weitz, o qual não foi, conforme ele mesmo admitiu, a opção óbvia. “Havia uma razoável quantidade de ceticismo quando eu assumi o segundo filme”, ele diz. “Eu entendo isso. Eu dirigi American Pie. Eu também ficaria preocupado”. Mas depois de uma conversa de duas horas e meia com Meyer – uma fã do filme Um Grande Garoto (About a Boy), de Weitz – ela deu a ele a sua benção.
Para Lua Nova, Weitz teve mais dinheiro para trabalhar, em torno de 50 milhões, mas em alguns aspectos ele teve mais dificuldade em trabalhar. Ele não somente teve que ficar fiel aos livros de Meyer, mas também teve que seguir o tom dado por Hardwicke à Crepúsculo. Até um ponto. “O filme de Hardwicke foi muito contemporâneo, muito estiloso. Muito imediato. Isso foi ótimo. Mas não eu. Eu sou um pouco antigo. O que eu queria era um épico na telona”.

Outro desafio: Edward está ausente, mas presente em Lua Nova. Em contrapartida, o filme se foca no relacionamento de Bella com Jacob, o Índio Quileute lobisomem interpretado por Taylor Lautner. Ajuda que Lautner tenha transformado os seus músculos abdominais em algo parecido com uma armadura rígida para o papel. “Claro, assim que eles se transformam em lobos, qualquer roupa que eles estejam usando se despedaça. É um incentivo econômico para os Quileutes desvatajados o fato de que eles não têm que ficar indo à Target para comprar novas camisetas”.

Enquanto filmavam Lua Nova, o elenco e a equipe começaram a perceber que como Jacob, Crepúsculo se transformou. É uma nova besta agora: não é uma franquia indie rápida e maleável, mas um fanatismo mundial. Os livros alcançaram o primeiro lugar em 15 países. Pattinson acabou de voltar do Japão, onde pela primeira vez ele ouviu a mesma choradeira que ele tem nos EUA. “Nenhuma conseguia realmente falar inglês, mas elas reagiram da mesma forma que as outras ao redor do mundo”, ele diz. “Até o distribuidor estava dizendo, a audiência japonesa não reage assim”.
Isso é Crepúsculo, não só na América. A sombra caiu sobre o globo inteiro. “Não saiu do controle até a Itália,” Weitz diz – ele filmou cenas na colina de Montepulciano, na cidade de Toscana. “As ruas estavam repletas de fãs. O mais legal foi que eles não estavam interessados em atrapalhar a filmagem de forma alguma. Quando pedíamos para a multidão de 1000 pessoas ficar quieta, eles ficavam absolutamente em silêncio. Mas quando terminávamos uma filmagem, havia uma rodada de aplausos, o que não acontece em um set de filmagem”.

No coração de tudo isso estão Stewart e Pattinson, os quais vieram da obscuridade direto ao superestrelato. Pessoas esperam por eles do lado de fora dos prédios. Pessoas tentam segui-los até as suas casas. “Em Vancouver, filmando Lua Nova, eu tentei uma coisa”, disse Pattinson. “É a única cidade do mundo onde capuzes não são populares. Se você está usando um capuz, você vai atacar e assaltar as pessoas. Então eu usei um capuz, e daí eu meio que cuspi no chão um pouquinho e me movimentei por lá enquanto elas andavam. Todos foram para o outro lado da rua.”

Se há uma ironia no sucesso de Crepúsculo, é essa: a vida de um ídolo no centro reluzente da maior franquia de entretenimento do mundo não é muito diferente de ser um vampiro. Pattinson se tornou um objeto imortal do desejo sem esperança dos fãs ao redor do mundo. O que começou lá no fundo do inconsciente da mente de Meyer se tornou a realidade de Pattinson e Stewart. Eles estão vivendo o sonho.

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