A menina mais invejada do mundo não existe. Ou melhor, existe, mas não no nosso mundo. Está em um paralelo, imaginário, mas já materializado. Isabella Swan, Bella para os íntimos, pode ser vista, admirada, e, o que é fundamental para milhões de outras garotas, dar vida ao íntimo de cada uma.A protagonista humana da saga romântico-mitológica envolvendo vampiros e lobisomens dos livros Crepúsculo, Lua nova, Eclipse e Amanhecer já ganhou rosto no cinema. Kristen Stewart é a encarregada de dar-lhe carne, osso e, no caso específico, sangue nas telas. Mas a atriz é um detalhe. Fosse quem fosse não importaria tanto.
É para se imaginar na pele de Bella que as meninas vão vê-la. Se o vampiro Edward e o lobisomem Jacob são os objetos de desejo, Bella é a realização de vida de uma jovem aos 10, 11, 13, 15 ou 17 anos (seja lá a idade real que tenha na carteira de identidade).
A cada beijo, olhar, insinuação, angústia, descontrole, da personagem, cada menina se põe lá, sonhando.
Bella é a adolescente comum. Esqueça por uns instantes os “monstros” que a cercam. Nem linda demais, nem sem graça demais. Meio perdida, tristonha, sem saber lidar com os pais, deslocada, um tanto assustada e enjoada. Não está disposta a encarar qualquer cara só pela sensação de pegar alguém. Típica romântica.
Interessa-se pelo cara mais frio e distante da escola. Como não poderia deixar de ser, vem a paixão. Ele a corresponde e a protege. Não é como os outros (não mesmo), mostra-se romântico como ela.
Meio príncipe encantado, meio super-homem, meio integrante de boy band, meio top model de funerária, Edward, em sentimentos, atitudes e aparência, é o cara idealizado. Só um problema: ser um morto-vivo sanguessuga.
Mas está aí o trunfo da saga. No mundo humano, encontrar namoro sério é cada vez mais improvável. Nos pátios dos colégios, nas baladas, relacionamentos estão cada vez mais descartáveis. O importante é ficar, ligar depois para o amigo (a) e se gabar: “Eh! Peguei a (o) gata (o)!”. Se os normais são babacas, deve-se, então, sonhar com os sobrenaturais.
E as sonhadoras lotam as salas de exibição, esgotam as tiragens dos livros, gritam nas cadeiras do cinema, suspiram na cama página após página. E ainda tem um lobisomem marombeiro correndo ao redor, caso apareça, quem sabe, uma chance, “tamos aí”.
Que menina não gostaria de tanta paixão? Que menino não se enfurece com tantos devaneios? A saga detonou a velha guerra dos sexos, que sempre é bem mais acirrada na flutuante fronteira infância/puberdade/adolescência, onde tudo é hormônio e impulso.
Enquanto elas dão nota 1.000 aos filmes, eles são da teoria não vi e não gostei. 11, 13, 14, ou 17 anos é um mundo de tolerância zero. Edward brilhar como purpurina ao sol rende piadas que desgostam as admiradoras. O clássico seria ele torrar e pulverizar. Também, por conservadorismo, deveria dormir num caixão, ser mais cruel, mais erótico. Mas como ninguém conhece um vampiro de verdade, pelo simples fato deles não existirem de verdade, fica a licença poética.
O menosprezo arrogante dos que as consideram alienadas incomoda. Mais por chatice do que por razão. Todo mundo tem alguma coisa boba no currículo que hoje até lamenta.
Sonhar em ser Bella hoje não significa sonhar isso pela vida inteira, ao menos, espera-se, não na mesma intensidade. É como o garoto que já se imaginou no lugar de um jogador de futebol após marcar o gol do título. Vai passar.
Restarão só os livros que sairão da cabeceira para alguma prateleira, alguma foto recortada do monstro galã entre as páginas, a consciência de que o texto de Stephenie Meyer nem era tão bom assim, os filmes também não, mas que valeu a pena ter vivido tudo aquilo, pela fantasia infanto-juvenil de ser Bella beijando Edward, pelos divertidos micos pagos junto às amigas alucinadas, pelo direito de ser fã.
fonte:Uol
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